terça-feira, 16 de agosto de 2011



CINEMA NO POLO APRESENTA! Trabalho Interno

DATA: 18 DE AGOSTO DE 2011 ÀS 13:30H NA SALA DE PROJEÇÃO DO PUAP






País de Origem: EUA
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 120 minutos
Ano de Lançamento: 2010
Estúdio/Distrib.: Sony Pictures
Direção: Charles Ferguson

Sinopse: O documentário escancara verdades da crise econômica mundial de 2008, que abalou os Estados Unidos e resultou na perda do emprego e moradia para milhões de pessoas. O filme mostra as relações políticas em pesquisas e entrevistas com figurões do sistema financeiro norte-americano, como o ex-corretor do CitiGroup e Merrill Lynch, Satyajit Das, economistas, lobistas e professores universitários. O longa é dirigido por Charles Ferguson e retrata os lados obscuros de Wall Street. Narrado pelo ator Matt Damon, revela verdades incômodas da crise que teve início com a quebra do banco americano Lehman Brothers. Com base em uma extensa pesquisa e séries de entrevistas com políticos, economistas, jornalistas e personalidades do setor financeiro – como o mega investidor George Soros –, o filme revela as corrosivas relações e o jogo de interesses entre governantes, agentes reguladores do sistema financeiro e o mundo acadêmico.

Os depoimentos – em certos momentos concedidos de forma exaltada – e as entrevistas com alguns dos envolvidos no episódio – nitidamente contrariados diante das questões colocadas pelo diretor Charles Ferguson –, revelam ainda o esquema de mentiras e condutas criminosas, inflado pelos altos salários e pelos bônus bilionários oferecidos aos executivos do mercado financeiro. Essa ciranda prejudicou seriamente a vida de milhões de pessoas em diversas partes do mundo, como, por exemplo, a Islândia, que no início do filme é usada por Ferguson para ilustrar os efeitos desastrosos da crise sobre a economia do país e de seus cidadãos. Após apresentar de forma dura os resultados do caos na maior economia do mundo, o documentário divide sua narrativa em cinco partes, até certo ponto didáticas, para que o espectador entenda como tudo aquilo aconteceu. O diretor vasculha as entranhas de Wall Street na fase que antecedeu a crise de 2008 de forma implacável, esclarecendo as origens do tsunami financeiro com perdas globais estimadas em cerca de US$ 20 trilhões (R$ 33,2 trilhões).

Ferguson não poupa republicanos nem democratas: culpa ex-presidentes dos dois partidos, começando por Ronald Reagan, que assumiu o comando dos Estados Unidos em 1981 – ou seja 27 anos antes da eclosão da crise –, passando pelos governos Bush (pai) e Bush (Jr.), Bill Clinton até Barack Obama. Segundo o documentário, no governo Reagan teve início o processo de desregulação do setor financeiro, com a suspensão de diversas barreiras de segurança que poderiam ter evitado as operações de risco e as fraudes financeiras nas demonstrações contábeis dos bancos.

Esse descaso em nome de uma suposta melhoria nas condições de competição do sistema financeiro americano criou situações assombrosas, como a existência de um único funcionário responsável na Securities and Exchange Commission (SEC) – o órgão similar à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil - por toda a gestão e fiscalização de exposição ao risco do mercado financeiro. Ferguson revela também as medidas desastrosas do Federal Reserve, o Banco Central dos EUA, potencializadas por uma condução governamental perigosa para a sustentabilidade econômica, num caldeirão com boas doses de corrupção, vista grossa e irresponsabilidade.

Mas uma das partes mais interessantes é justamente aquela em que o cineasta aborda o componente comportamental dos executivos e operadores financeiros do setor. Tomados por uma sensação de impunidade, de propriedade absoluta de poder e inviolabilidade, construíram uma cultura de excessos e insensibilidade crônica, onde havia, e ainda há, a participação explosiva de elementos como drogas e prostituição em larga escala. Uma mistura que, em vez de ampliar as riquezas do sistema financeiro, produziu tragédias econômicas, desespero e, como resultado final, congelou o maior motor da economia mundial.

O filme termina mostrando que o mundo não está livre de novos abalos financeiros, já que muitos dos causadores da crise, como o ex-secretário de Tesouro dos Estados Unidos Henry Paulson, o presidente do Fed Ben Bernanke e até mesmo o atual secretário de Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, ocupam postos estratégicos. Ou seja, os mesmos personagens permanecem dando as cartas na mesa. Algumas das mais novas vítimas são gregos, irlandeses, espanhóis, portugueses e outros povos europeus que estão sendo “convidados” a aceitar uma ajuda financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI).

 
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