sábado, 4 de outubro de 2008

APROVEITAMENTO DE ESTUDOS

O período para requerer aproveitamento de estudos para valer a partir de 2009.1 é de 15 a 20 de dezembro de 2008. Fique atento e não perga o prazo.
A Coordenação

Coordenador do Curso de Física comenta a possibilidade de monitoria voluntária ser contabilizada para às 200 horas de AACC
A monitoria voluntária é uma atividade já institucionalizada nos cursos presenciais, mas ainda não nos cursos a distância.Concordo plenamente com a idéia sugerida pela Joana, de implementarmos tal atividade nos cursos a distância.
A Pró- reitoria de graduação (Prograd) precisa ser mais solicitada para se manifestar sobre o tema e me comprometo a insistir nesse aspecto.
Isto porque a monitoria voluntária, em que não há bolsa ao participante, assim como aquela obtida por mérito em processo seletivo e que está associada a uma bolsa de monitoria concedida aos selecionados, precisam resultar de um projeto encaminhado por um professor do curso, submetido a julgamento pela Câmara de graduação da Pró- reitoria de Graduação.
Nesse projeto, o professor descreve o plano de trabalho dos monitores e será o responsável pela sua orientação e avaliação, bem como pela elaboração de relatórios à Pró- reitoria.
Há períodos a cada ano para submeter tais projetos no calendário da Pró- reitoria.
Estaremos buscando esclarecimentos perante a Coordenação didático- pedagógica da Prograd para divulgar aos professores o período em que devem encaminhar tais projetos.
Até porque a monitoria voluntária pode ser contabilizada, sim, como atividade de formação complementar (Aacc).
Mas há um aspecto crucial: quando o professor coordenador do projeto é contemplado com a quantidade de monitores, cabe a ele escolher quem ocupará as vagas.
Para isso, precisa conhecer os candidatos.
Mas os alunos interagem pouquíssimo no ambiente de aprendizagem e não se dão a conhecer pelos professores.
Isso vai dificultar a escolha.
É preciso que os alunos participem das disciplinas, tirando suas dúvidas, fazendo comentários, sugestões, críticas etc., a fim de que se tornem conhecidos pelos professores.
Se isso não acontecer, ficará quase impossível a existência de monitores voluntários. O critério para ser monitor voluntário não é apenas querer ser.
É preciso que a capacidade para ser monitor seja reconhecida pelos professores que coordenarão os projetos. E isso não acontece de uma hora para outra.
Cabe aos tutores conscientizar os alunos das necessidades e vantagens de participarem dos fórums e demais facilidades disponíveis nas páginas das disciplinas.
Só essa participação trará possibilidades de um bom desempenho nas disciplinas, bem como outras vantagens do tipo monitoria voluntária e que tais.
Matéria postada pelo Prof. Ciclamio Barreto no fórum de tira-dúvidas da página do curso de Física.

José Cerchi Fusari: “Planejar evita o excesso de improviso pedagógico”.


Com mais de 40 anos de experiência em educação, José Cerchi Fusari* defende a retomada do planejamento educacional como uma atividade realizada durante todo o ano letivo e não somente no início. Professor doutor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Fusari trabalhou sistematicamente na formação de pedagogos, professores e pesquisadores. É doutor em educação pela USP, mestre em filosofia da educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), formado em pedagogia pela PUC–SP e egresso das antigas escolas normais de formação de professores. Além da longa experiência em ensino fundamental, médio e superior, no momento coordena na FEUSP o Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Formação de Educadores (GPEFE).

JP - O que se entende por planejamento de ensino? Qual o seu conceito?

JCF - A maioria das escolas brasileiras organiza no começo do ano uma semana de planejamento. Isso tem um lado positivo e negativo. Como não há uma cultura de planejamento, isso acaba limitando-o àquilo que acontece somento no início do ano letivo. Planejar não pode ser caracterizado como uma atividade datada e situada, deve ser um processo mais amplo, caso contrário, cairemos no “repentismo pedagógico” em que as escolas vivem de improvisos.
Sendo assim, o planejamento pode ser definido como um processo permanente, crítico e reflexivo vivenciado pelos educadores, em especial, nos 200 dias letivos e para além deles. É muito mais amplo do que a elaboração de planos e projetos. O planejamento é uma atitude, um valor que damos ao pensar, ao refletir. Ao fazer isso, valorizamos os educadores enquanto protagonistas do processo de educação escolar.
Atualmente, o planejamento escolar está estigmatizado como uma tarefa supérflua, desnecessária e burocrática. Entretanto, é importante recuperar a identidade do planejamento na escola como uma vivência, uma atitude. O planejamento transformado em cultura vai propiciar bons projetos, planos de aula e planos de ensino.

JP - É importante a participação da comunidade e dos conselhos escolares na hora de formular o plano de ensino? Como eles podem contribuir?

JCF - Toda escola se organiza a partir de um currículo formal, o qual serve de base para a construção de um Projeto Político Pedagógico (PPP). A construção deste projeto deve ser feita coletivamente, de maneira participava, costurada com a comunidade na qual a escola está inserida. Por isso, podemos dizer que o projeto é uma obra aberta. O PPP está sempre sendo reinventado porque a relação da escola com a comunidade é dinâmica.
A comunidade pode contribuir de várias formas. Sabemos que existem escolas muito fechadas em relação a comunidade, mas tem escolas que conseguem ter um diálogo mais aberto. Para isso, há formas instituídas como os conselhos escolares, que funcionando democraticamente, estabelecem um canal de comunicação rico e saudável para a escola. A escola tem que ir além do que é a expectativa da comunidade. O PPP tem uma função tripolar: está voltado para a educação dos alunos, mas também para a educação dos professores e da comunidade. Assim a comunidade se torna co-responsável pela escola e seu projeto pedagógico.

JP - O que deve ser levado em consideração na hora de montar um plano escolar, curricular e de aula?

JCF - O fundamental não é decidir se o plano será redigido no formulário x ou y, mas assumir que a ação pedagógica necessita de um mínimo de preparo, mesmo tendo o livro didático como um dos instrumentos comunicacionais no trabalho escolar em sala de aula. É importante desencadear um processo de repensar todo o ensino, buscando um significado transformador para os elementos curriculares básicos:
Princípios educacionais – Estão presentes na Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Entretanto, é interessante que a escola se reúna e reescreva os princípios levando em consideração as situações locais. Os princípios são o ponto de partida do processo de elaboração de um plano escolar e é interessante que acompanhe todo o processo de planejamento escolar.
Objetivos – Estes são os pontos de chegada, onde se pretende chegar com as atividades da escola, de cada disciplina e das aulas.
Conteúdo – É necessário também prever o conteúdo como um recorte do conhecimento que fará parte de cada disciplina. Conhecimento este produzido históricamente pela humanidade.
Métodos de ensino – Concomitante a definição dos objetivos que constituem o ponto de partida para qualquer método de ensino, cumpre ao professor e supervisor o planejamento de técnicas, instrumentos, procedimentos, situações e experiências de ensino que visam engajar o aluno em situações capazes de produzir aprendizagens crítico-reflexivas.
Avaliação – A avaliação é o processo pelo qual a escola e os professores procuram determinar a qualidade e quantidade de mudanças efetuadas na aprendizagem dos educandos, sempre tendo como referência os princípios, objetivos, conhecimentos, metas e sistemas de avaliação. As situações de avaliação são mais facilmente escolhidas e planejadas quando os objetivos são bem definidos.

JP - Qual plano deve ser prioritário: escolar, curricular ou de aula?

JCF - Os três tipos de plano se complementam, se interpenetram e compõem o corpo do plano de currículo da escola. Entretanto, na prática das unidades escolares, devido à quase total falta de condições de trabalho docente, a elaboração dos planos escolar, de curso e de ensino tem-se revelado complexa, fragmentada, longe mesmo, em alguns casos, daquela organicidade desejada para o processo de ensino e aprendizagem.

Na atual conjuntura problemática em que se encontram a escola, vamos estimular os professores a prepararem as suas aulas, garantindo, deste modo, um trabalho mais interessante e produtivo no processo ensino e aprendizagem, no qual o professor seja um bom mediador entre os alunos (com suas características e necessidades) e os conteúdos do ensino.

*jcfusari@usp.br

(Renata Chamarelli)

 
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